Como eu me tornei uma dona de casa

Fui demitida do meu emprego.

Mas só isso não era motivo para eu me tornar uma dona de casa, muitos fatores contribuíram para que isso acontecesse. É claro que a demissão foi o primeiro grande passo, e durante essa transformação culpei a todos e a mim por tudo ter chego a esse primeiro passo.

O que antigamente usava para descrever outras mães, agora era a minha realidade! Como eu cheguei a esse ponto?

Tudo começou a perder o rumo quando engravidei pela segunda vez, procurei dar um intervalo de 4 anos entre as gestações para não prejudicar a minha carreira, mas não funcionou.

Não conseguia chegar no horário e por isso sugeri a minha redução de oito para seis horas. Para mim funcionou bem, mesmo eu abrindo mão de momentos em que precisava  estar com minhas filhas, como em caso de doenças, para o meu chefe não funcionou.

Talvez em uma empresa maior onde um funcionário não fizesse tanta falta, tivesse funcionado, talvez…

Depois de oito meses decidimos que eu não voltaria a trabalhar, por tempo indeterminado.

Me aceitar como dona de casa não foi fácil, sempre achei que não estava em pé de igualdade com meu marido e não estava contribuindo com a família. Principalmente quando alguém perguntava por que eu não fazia bolinhos para vender!

Eu me sentia obrigada a defender a minha decisão de não trabalhar para os amigos, parentes, o mundo! Não foi fácil. Até porque eu não estava convencida de que eu tinha tomado a decisão certa. Fazia meu marido repetir todas as noites, como ele estava feliz por eu não trabalhar.

Me pergunto a que ponto chegamos, onde é preciso justificar a decisão de cuidar dos filhos! Alguém tem de fazê-lo, porque não eu? Seria eu qualificada demais para o cargo?

Talvez porque as pessoas imaginem que ser dona de casa e cuidar dos filhos é fácil – fácil – tinha vontade de bater com a cabeça na parede quando alguém dizia isso… Diga, quem quer se dedicar a uma função que não dá retorno financeiro ou status social e não é valorizada?

Sim, porque eu seria avaliada pelo número de louças lavadas? Qualidade da limpeza da casa? O boletim das crianças? Sim… isso será um tipo de avaliação também, rs. Mas não a que eu estava acostumada, não haveria bonificação e provavelmente não seria chamada de mãe sênior e depois pleno, muito menos teria aumento salarial por isso.

Que sorte é essa? Que vida fácil é essa?

Ser mãe em tempo integral não é fácil, deixar de ser reconhecida como a fulana que trabalha em tal empresa, ganha x salário, tem o carro y, para agora ser uma dona de casa? É isso?

Sim é isso. Descobri que a única opinião que importa é a minha, já que sou eu quem terá de conviver com a decisão de ser dona de casa, obviamente com o aval do marido, já que o casamento é uma parceria.

Hoje não me sinto inferior ao meu marido por não trabalhar fora, por que:

  • Decidimos juntos ter filhos, alguém precisa cuidar deles e se no momento o meu salário não é uma vantagem, eu assumo essa responsabilidade para mim.
  • Eu faço a diferença na felicidade da minha família e na educação das minhas filhas.
  • Posso dizer que em grande parte sou responsável pelo sucesso profissional do meu marido, afinal se ele pode dedicar-se inteiramente a sua carreira é porque pode contar comigo.

Como disse Maria Mariana em uma entrevista: “Não consigo ver trabalho mais importante do que colocar na sociedade, daqui a 20 anos, pessoas equilibradas emocionalmente, capazes de administrar as próprias emoções, de caráter firme”.

Por fim, de uma hora para outra deixei minhas antigas referências para trás e agora sou só eu e minhas filhas em casa, como muitas outras mulheres, cuido da casa, lavo a roupa, faço a comida, ajudo na lição de casa… sou só mais uma, nem a melhor, nem a pior, sou mais uma mãe dona de casa.

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30 Comentários

  1. Olá querida, adorei o seu texto.Sabe que primeiro temos que mudar a nossa forma de encarar a situação, e você chegou lá, parabéns.Concordo com tudo o que você diz, e para mim, o importante são as minhas e minha família, um conjunto que eu ajudo e estou dentro.Você deveria compartilhar este texto la no Donas de Casa Anônimas, tenho certeza que vão adorar..Se você quiser, eu lhe convido a integrar o grupo..Super bjs,

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  2. Karine

     /  31 de janeiro de 2012

    Rafaela, parabéns pela difícil escolha; vc foi corajosa.
    bjk

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  3. Sabe que lendo suas angustias é bem isso, pq temos que dar satisfação se decimos ser mãe e cuidar de td que implica em ter uma casa organizada! e não é facil não pq não é reconehcido mesmo um trabalho sem fim!
    Mas o melhor de td isso á a qualidade que vc esta proporcionando a sua família, esta sempre com as meninas, acompanhar suas vidas sem correria ou horário de voltar pra empresa, isso não tem preço ou salario ou carreira que pague!
    parabéns por sua decisão

    super bj

    Responder
  4. Adorei o texto… bem escrito e de fato, um fato.
    A superação o entendimento e a valorização… perfeito.
    Adorei seu blog

    Visite meu blog e participe da minha enquete. Sua visita e seu voto serão muito importantes.
    http://portaniamara.blogspot.com/

    Caso goste do blog, fique a vontade em seguir. Você será muito bem vinda:)

    Beijos

    Responder
  5. Menina, você descreveu o jeito que eu estou sentindo e principalmente a parte “…quando alguém perguntava por que eu não fazia bolinhos para vender!…”. Todo mundo pensa que só escolhermos cuidar dos nossos filhos não é o suficiente. Temos que saber artesanato, culinária e eu sou o contrário de tudo isso.
    Boa escolha a sua de cuidar das suas filhas, eu ainda não me conformei com essa minha escolha, mas eu chego lá.
    Adorei a citação também. O mundo tá desse jeito porque a sociedade está deixando seus filhos serem criados pelo mundo e não pelos pais.
    Beijos

    Responder
  6. O que importa é sua opinião e se você é feliz! Sinta orgulho de você, sempre!

    Beijos,
    Carol Veronese
    http://retratoseretalhos.com.br

    Responder
  7. Oi Rafa, estou melhor sim obrigada. Mas sabe como é dividir o teto com parentes do marido né? Só dá confusão, mas em breve eu voltarei pra minha casinha! Falta pouco! E o que não me mata, me fortalece! hehehe

    Responder
  8. Rafaela,
    Passei primeiramente para conhecer o blog de alguém q contribuiu com o meu.E adorei o post.
    Hoje em dia a gente tem q dar satisfação de por que se tornou dona de casa, porque trabalha e deixa o filho com outra pessoa, por que isso e por que aquilo. Mas alguém paga nossas contas? Assume nossas responsabilidades? Não.
    Então relaxe um pouco e seja vc. Cada uma tem as suas questões. Acho que só devemos respostas à nossa família. Não acha?
    Abs,
    Dani

    Responder
  9. Rafaela parabéns pelo seu cantinho me transmiti muitas sensações de paz.
    Seu texto está lindo, boas palavras, cheia de ensinamentos. Minha querida, quando tive minha filhinha, até então só temos ela, foi super complicado, sou jovem, tinha acabado de casar, estava planejando concluir minha formação, terminar de estabilizar meu lar… quando minha princesa chegou, um dilema, como iria concluir meus projetos? Então fiz uma pausa durante um ano. Dediquei-me a cuidar da casa, filha, da minha família, foi super complicado, pois a sociedade é feita por tabus, existindo o preconceito para aqueles que decidem ter coragem para assumir a tarefa mais árdua e feliz que é ser dona de casa. Penso que muitos dos que criticam gostaria de ter uma família feliz. Então me jugaram, me criticaram, até minha família no começo era um pouco assim, mais eu seguir adiante, sofri e chorei como você, mas ver a felicidade de minha filha era o meu motivo maior. Hoje ela tem 1 anos e 3 meses… faz um mês que decidi retorna ao meus estudos, por vontade própria, sem me culpar por nada!
    Então eu me aceito do jeito que sou, passei 1 ano juntinha da minha Fer, passei por várias aprovações comigo mesma… mas quando estamos com convicção que queremos aquilo, superamos tudo.
    E estou retornando aos poucos, porém admiro muito que é RESPONSÁVEL INTEGRALMENTE pelo lar e pela família. É um ato e um trabalho de amor.
    Você não deve satisfação a ninguém, continue amanda integralmente que vai ser sua maior felicidade.
    Uma linda semana cheia de permissões para ser feliz!
    Beijinhos.
    Lorena Viana
    pequena-prendiz.blogspot.com

    Responder
  10. li seu texto com mta atenção e quando a gente se casa e sabe que vai ter filhos essa hora chega né é complicado mas depois deve se tornar agradavel hoje não tenho filhos e tenho que trabalhar para fazer $$$ meu marido tbm tem o salario $$$ dele mas onosso $$$ junto da mais força mas eu queria poder passar meus dias em casa sem culpa de não estar trabalhando e como não tenho filhos não posso falar pro mundo que decido cuidar do meu lar.

    Responder
  11. Muito legal o seu post. Hoje é meu último dia de trabalho e sabe por que? Porque optei em ser dona de casa e vou me dedicar em tempo integral a minha filha e família, sem precisar ficar naquela correria e estresse de transito, sem precisar agüentar chefe me apurrinhando, etc. Confesso que não foi uma decisão fácil, pois tinha várias dúvidas assim como vc…. mas depois eu vi que todo o preconceito estava em mim de se tornar uma dona de casa. E assim como vc, eu vi que posso sim fazer a diferença na sociedade cuidando da minha família… estou feliz e em paz com a minha decisão.
    bjos
    bjo
    Ich, Hausfrau
    http://www.ich-hausfrau.com.br

    Responder
  12. Oi, Rafaela.
    Vc tem que fazer oq gosta, se está feliz assim é isso que importa, né?
    Pelo que li vc se incomodava bastante com opiniões das pessoas, elas só falam, falam e falam, muitas vezes nem pensam direito e falam.
    Quando vc escreveu que tinha vontade de bater a cabeça na parede qdo as pessoas achavam que era fácil cuidar da casa e de crianças, na vdd dá vontade de bater a cabeça DELAS na parede. rs
    Obrigada por visitar meu blog, espero ver vc mais vezes por lá!

    Responder
  13. Oi Rafaela, tudo bom?

    Vim agradecer a visita ao blog, e adorei conhecer teu blog e já estou seguindo, não quero perder nenhuma postagem!

    Ser ou não ser dona-de-casa?
    Sinceramente, não gosto de ser não!!!, trabalho desde os meus 17 anos, há 4 anos tenho meu próprio negócio, AMO TRABALHAR FORA, AMO TRABALHAR, NASCI PARA TRABALHAR SEMPRE, fiquei alguns meses deprimida qd. deixei meu último emprego, foram 15 anos na mesma empresa!!!, em menos de 3 semanas já tinha montado e aberto a loja.
    Admiro as mulheres que abdicam de uma carreira pelos filhos, pela família, mas tem de ser uma escolha consciente.

    Adorava o “Confissões de adolescente”, é estranho ver a Maria Mariana com 4 filhos, nossos ídolos crescem, envelhecem, … que bom!!!

    Beijos, adorei conhecer teu blog, te desejo uma semana linda e um ano com muitas realizações

    Audeni

    Responder
  14. Chris

     /  31 de janeiro de 2012

    Oi Rafaela,
    Adorei a postagem!!!! Não sabia do livro da Maria Mariana, fiquei curiosa…
    Beijos
    Chris
    http://inventandocomamamae.blogspot.com/

    Responder
  15. Obrigada por comentar na BC sobre gentileza…
    Essa escolha de ser mãe em tempo integral é difícil e ñ pode ser tomada sozinha, tbém sou mãe em tempo integral, fizemos as contas e eu estava “pagando” para trabalhar, não valia a pena, era melhor eu em casa, confesso que a cobrança é de matar mesmo… affffff… nem fale nisso… rsrsrsrs… tbém fiquei curiosa com o livro da Marian…
    Bjs!!!

    Responder
  16. Rafa, adorei sua história. Adoro blogs com conteúdo! E o seu é um!
    E vc fechou com chave de ouro com esta fala da Maria Mariana.
    Parabéns! Bjim, ANITA
    http://www.anitabemcriada.com
    @anitabemcriada

    Responder
  17. Querida adorei a sua postagem!!
    Mas ser dona de casa tem o seu lado bom, rs.
    Ainda não sabia desse livro da Maria Mariana, vou ver ele, rsrs.

    Beijos

    Responder
  18. Adorei.
    Concordo com vc e com a Maria Mariana, de quem também sou fã.

    Brilhante texto.

    Responder
  19. Aplausos. Ser mulher não é fácil. Se resolve se dedicar à carreira, é frígida, dama de ferro. Se resolve se dedicar à família, nossa que folgada.
    Você está certíssima, se o ritmo da sua família possibilita que você fique em casa, tem que ficar mesmo e curtir. Você não está de pernas para o ar, está administrando um lar. Se um dia precisar voltar ao batente, certamente voltará… não vejo mal algum nisso. Casal unido vai longe! Parabéns

    Responder
  20. Oi, Rafaela, estamos no mesmo barco, não é fácil, mas a recompensa é valiosa demais, acredito ser essa a profissão mais importante, cuidadora dos próprios filhos,
    bjs

    Responder
  21. E é muito bom quando a gente entende nossa missão importante como disse a Maria Mariana, a nobreza está no trabalhador e não no trabalho, não e mesmo?

    Responder
  22. Sim… esse texto tem a minha cara. Eu tambem nao escolhi ser dona de casa. Aconteceu. E demorei tanto a me acostumar com a ideia que tinha dias que me sentia perdida… Saber que outras pessoas passam ou passaram pelo mesno dilema nos da força para continuar.

    Responder
  23. Curti e compartilhei no Facebook.😉

    Somos duas.:)

    Responder
  24. Adorei seu post. Parabéns.

    Responder
  25. Conceição Guterman

     /  3 de fevereiro de 2012

    Adorei seu texto e, principalmente , sua firmeza. Tenho 7 filhos, de 6 a 21 anos, e também tomei esta decisão após ter a 4ª gestação .
    Sou mãe – dona de casa- por opção, como vc.
    Até logo.
    Conceição

    Responder
  26. MUITO bom o post Rafa!!! Fizeste a melhor escolha da tua vida e porque nao dizer da vida das tuas filhas também?!

    Deus te abençoe e dê graça e sabedoria!
    Um beijo,
    Tchella

    Responder
  27. Tomei a liberdade de citar seu texto no face….
    Beijos

    Responder
  28. Fiz o mesmo que a Cristiane Fraga! rs
    E fiz o seguinte comentário: “Dou preferência desta leitura à todas as pessoas que acham desmerecedora a função de dona de casa em tempo integral! :)”
    Ainda não possuo filhos e não sou dona de casa em tempo integral, porém, num futuro próximo (assim espero!) pretendo deixar de trabalhar pra cuidar, ao menos, dos primeiros cinco anos, uma fase a qual acho de extrema necessidade a presença da mãe para que haja um bom desenvolvimento e criação de vínculos entre a mãe a criança. Felizmente meu marido partilha da mesma opinião que eu e me dá pleno apoio! Parabéns pelo post e pela decisão, que parece ter sido bem acertada! Beijos!

    Responder
  1. A diferença de salário entre mulheres e homens | Blog do Dr. Money

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